Expo MARGIELA / GALLIERA, 1989-2009

O museu Palais Galliera, em Paris, acaba de abrir as portas para uma histórica retrospectiva que abrange 20 anos do trabalho de Martin Margiela, de 1989 a 2009. Essa é a primeira mostra na cidade dedicada ao estilista belga que não só questionou a das roupas, mas também desafiou a ordem do fashion system.

margiela galliera

Formado no departamento de moda da Royal Academy of Fine Arts, na Antuérpia, ele trabalhou como assistente de Jean Paul Gaultier entre 1984 e 1987 antes de, em 1988, se tornar o primeiro designer belga de sua geração a fundar a própria marca em Paris. A homenagem se justifica ao pensarmos que a abordagem conceitual e a subversão do trabalho de Margiela desafiaram a estética da moda, reinventando e redefinindo silhuetas masculinas e femininas, tirando o fashion crowd da zona de conforto.

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A partir da técnica da desconstrução, ele assinou peças expondo seu interior, seus revestimentos e detalhes inacabados, revelando minuciosamente os diferentes estágios de criação, isso sem falar no uso de materiais inusitados para questionar padrões do mercado de luxo. E como esquecer sua “Oversize Collection” que ampliou as proporções das peças ao extremo? E a “Barbie Collection”, que introduziu o conceito de réplica, reproduzindo e ampliando roupas de boneca para tamanhos humanos? E não podemos deixar de falar, claro, do icônico sapato inspirado nos tabis japoneses (aquele com uma separação entre os dedos), que se tornou uma das marcas registradas de Margiela.

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A obsolescência das roupas passou a ser questionada por ele com a criação da “Artisanal”, coleção criada em série e que existe até hoje. A proposta por trás dela é a confecção de peças one of a kind com artigos vintage – sim, ele foi um dos primeiros a pensar em reciclagem na moda. A partir de 2012, a linha foi reconhecida pela Fédération Française de la Couture, que concedeu a ela o exclusivíssimo título de “Haute Couture”.

margiela galliera

Sua fama também vem do fato dele ser um criador sem rosto e um designer que não costuma conceder entrevistas. E é com suas peças que não ostentam uma logomarca, coleções que abusam da simplicidade do branco e de suas apresentações com locações inusitadas como estacionamentos, armazéns, estações de metrô e até terrenos baldios, que ele agora é lembrando na mostra que exibe mais de 130 looks, vídeos de desfiles, arquivos da casa e instalações especiais que oferecem um olhar completo sobre um dos estilistas mais influentes da moda. Imperdível!

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Fotos: divulgação

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